4 de outubro de 2011

Conheci uma miúda...


Desculpa, mas tinha mesmo que contar...
Não por obrigação, não por respeito e muito menos por descargo de consciência, mas por nós...
Nós que não atam nem desatam.
Nós complicados, nós na garganta, nós no coração, nós no pensamento,
nós de angústia, nós de culpa.
No fundo são nós, que não nos deixam ser nós.
Não posso contar tudo, porque apesar de curta em tempo, é uma longa história.
Mas posso fazer uma sinopse de um destino que alguém escreveu.
Era uma noite igual a tantas outras.
Alguns velhos amigos, alguns amigos novos e um copo na mão que teimava em ficar vazio, com propósito de curar um coração que teimava o mesmo.
Uma ou duas horas nisto, até que fomos a outro sitio onde se alinhavam pessoas, rapidamente ultrapassadas à má fila.
Isto, porque existem outras pessoas que são tão impacientes que nem são capazes de esperar pelas partidas que o destino lhe prega.
Eu não sabia, mas pelos vistos sou assim.
Ou então, foi a primeira partida que essa noite me reservou.
Mesmo assim, ainda tive tempo para ir buscar mais um copo daqueles teimosos que se esvaziam à velocidade da dor.
Só que desta vez, antes do copo se esvaziar, houve um encontro que teimou mais em acontecer.
Eu gostava de me lembrar das palavras que foram ditas, mas só me lembro de uma empatia que não se descreve em palavras.
O tempo começou a passar e tudo à volta começou a insistir em não querer passar.
Dançámos uma valsa.
Mas a do homem carente, que o Tê escreveu e o Palma cantou.
E os copos?
Continuaram a surgir, mas de outros. Daqueles que ajudam ter atitudes, que no dia seguinte são desculpadas por esses mesmos copos.
Nem eu, nem ela percebemos porquê, mas a vontade de rir, falar e de estar juntos prolongou-se mais que o brilho da Lua. Era de certeza reflexo de alguma coisa.
Do Sol acho eu...
Sim, é isso... O brilho da lua é o reflexo do Sol.
O mesmo Sol que nos acompanhou por uma longa e marginal caminhada junto ao rio.
Não tenho a certeza... mas acho que fomos filmados.
Digo isto porque a história não é real, é a história de um filme.
E como em todos os filmes, os problemas tem que surgir.
Faz parte da trama.
Percebemos naquela noite que 7 dias depois estávamos a 10.250 quilómetro de distância, mas que durante esses mesmos 7 dias, tínhamos que manter uma distância maior que a vontade.
O meu coração nessa noite acelerava por a ter conhecido.
O dela acelerava pelo remorso de eu ter aparecido.
Aqueles quilómetros todos de distância tinham uma razão mais forte que nós...
O homem que lhe acelerava o coração da maneira certa.
Ainda assim, durante esses 7 dias a vontade foi sempre maior que a distância.
E nessa semana, vivemos cumplicidades que poderiam ser a história de um livro.
Livro esse, com um titulo já feito e que prometemos um ao outro que o criávamos juntos.
Mas hoje, passados 15 dias, 5 horas de diferença e 10.250 quilómetros de distância, vejo que acima de tudo o que criámos foram laços.

Laços não....
Criámos nós.
Nós, que insistem em não deixar de ser só eu e tu.






PS: Beijo miúda.